Estes circuitos estão localizados entre o seletor de canais e o tubo. Tem como função processar os sinais responsáveis pela imagem, cor e som. Nos TVs antigos (anos 80) tais circuitos encontravam-se dentro de 3 ou 4 CIs. Já nos TVs modernos estão todos dentro do CI faz tudo. Veja abaixo o princípio básico dos circuitos de imagem usando o faz tudo:

Seletor de canais – Ou varicap, tem o aspecto de uma caixinha blindada. Recebe o sinal das emissoras na antena, seleciona um canal e transforma em sinais de freqüência intermediária (FI) de cerca de 44 MHz. Na realidade do seletor saem três sinais de FI: vídeo (45,75 MHz), cor (42,17 MHz) e som (41,25 MHz);

1° FI – Amplifica o sinal do seletor para o filtro SAW;

SAW – É um filtro de 5 terminais, podendo ser redondo metálico ou retangular de epóxi. Deixa passar os sinais de FI e bloqueia as interferências vindas do seletor;

FI – Esta etapa está no faz tudo e amplifica os sinais de FI do seletor;

Detetor de vídeo – Recebe o sinal de FI e extrai dele: o sinal de luminância (Y) entre 0 e cerca de 2 ou 3 MHz, sinal de croma de 3,58 MHz e o novo sinal de som de 4,5 MHz. Lembrando que luminância (Y) é o nome dado ao sinal correspondente à imagem em preto e branco, ao brilho e ao contraste da mesma.

Trap e filtro de som – São normalmente dois filtros de cerâmica para separar o som do resto do sinal. O trap de som é um filtro cerâmico ligado em paralelo com uma bobina. Fica no caminho do vídeo para aterrar o sinal de som, evitando que este vá para o tubo e interfira na imagem. O filtro de som é um filtro cerâmico sem bobina na entrada do circuito de som. Separa o sinal de 4,5 MHz para os circuitos de som do TV;

Distribuidor de vídeo - Recebe os sinais de luminância e croma e o distribui para os respectivos circuitos. Este transistor não é usado por todos os TVs, porém o é pela maioria. Após o distribuidor, o sinal Y deve ser separado do sinal de cor. A separação pode ser feita fora do faz tudo através de bobinas e capacitores (traps ou filtros) ou então dentro do faz tudo como ocorre nos TVs modernos;

Circuito de luminância (Y) – Amplifica o sinal Y e o envia para a matriz com as cores. No circuito Y encontraremos a DL (linha de atraso) que impede a chegada deste sinal à matriz antes das cores. A DL de luminância pode ser externa ou interna ao faz tudo. Se for externa é uma bobina de três terminais com o meio no terra e encapsulada com cerâmica;

Circuito de cor – Têm basicamente quatro funções: 1° Amplificar os sinais de cor (vermelho R-Y e azul B-Y) enviados pela emissora, 2° Separar estes dois sinais de cor, 3° Demodular os sinais de cor (fazendo-os voltar para suas freqüências originais) e 4° Obter o sinal do verde G-Y. Embora o circuito de cor pareça um tanto complexo, ele está quase todo dentro do faz tudo. Do circuito de cor saem três sinais: R-Y (vermelho), G-Y (verde) e B-Y (azul);

Matriz – Mistura cada cor com a luminância, resultando novamente nos sinais RGB que serão amplificados pelos saídas e aplicados nos catodos do tubo para produzirem imagem colorida. A matriz pode ser feita dentro do faz tudo (TVs modernos) ou nos próprios saídas RGB (TVs antigos). Neste caso, a luminância entra nos emissores e as cores nas bases dos transistores.

PRINCÍPIO BÁSICO DOS SINAIS DE IMAGEM E COR

Esta parte é apenas a título de curiosidade, não interferindo na hora do conserto de um TV, mas ajuda a compreender os circuitos de imagem do televisor. No TV a cores, a imagem é formada a partir de três cores primárias: vermelho – R, verde – G e azul – B. Lá na emissora a câmera (na transmissão ao vivo) ou outro equipamento (VCR ou DVD na transmissão gravada) fornece os três sinais RGB que são as cores junto com a informação de brilho e contraste. A partir daí os sinais são processados até se tornarem: luminância (Y) e cores (U e V) separadas para serem então transmitidas. Veja o princípio básico a seguir:

O sinal de luminância – Também chamado de sinal Y, corresponde à imagem preto e branco com as informações de brilho e contraste. É obtido pela mistura das partes dos sinais RGB (30% R, 59% G e 11% B) Este sinal também fornece a imagem para os TVs preto e branco.

Sinais de croma – Devido à limitação na largura do canal de televisão, apenas dois sinais de cor podem ser transmitidos. A escolha ficou para os sinais do vermelho e do azul, porém estes sinais são transmitidos de tal forma que misturando uma parte de cada podemos obter o sinal do verde. Isto será feito dentro do CI faz tudo do televisor.

Obtenção dos sinais de cor – Consiste na mistura do sinais R e B com o sinal Y invertido, obtendo assim as duas cores sem a luminância: R-Y e B-Y. Estes sinais também podem ser chamados de diferença de cor.

Modulação e correção – Os sinais R-Y e B-Y têm freqüência baixa (0 a 1 MHz) e para serem transmitidos sem interferirem no sinal Y, devem ser modulados. A modulação é feita com um sinal de cerca de 3,58 MHz. O azul é modulado (misturado) com um sinal de 3,58 MHz em fase e o vermelho com outro sinal de 3,58 MHz defasado em 90°. Portanto os dois sinais são transmitidos em 3,58 MHz e defasados entre si em 90°. Esta defasagem é muito importante e dela depende as cores corretas da cena a ser transmitida. Após a modulação os sinais de cor são um pouco reduzidos para não ultrapassarem o tamanho do sinal Y. Assim o sinal R-Y corrigido pode ser chamado de V (vermelho) e o B-Y corrigido pode ser chamado de U (azul).

Sistema NTSC - Significa “National Television System Committee” ou Comitê para o Sistema Nacional de Televisão. Foi o primeiro sistema de transmissão de sinais a cores. Desenvolvido por uma equipe de engenheiros nos Estados Unidos na metade da década de 50, ainda é o sistema usado lá e em vários outros países como Japão, México, Canadá, etc. Neste tipo os sinais de cor são modulados por um sinal de 3,579545 MHz. O azul em fase e o vermelho defasado em 90°. Porém durante a transmissão devido à interferências e outros fatores o vermelho, que é mais instável, pode sofrer alteração de fase e passar por exemplo para 100° em relação ao azul. Com isso, todas as cores ficam alteradas na tela. Esta deficiência do sistema NTSC é corrigida por um controle chamado Tint, que atua no CI faz tudo e faz o vermelho voltar para 90° em relação ao azul automaticamente.

O televisor NTSC – Como já explicado, os sinais do vermelho e azul são transmitidos juntos em 3,58 MHz. O televisor deve separar e demodular estes sinais aplicando outro sinal de 3,58 MHz gerado por um oscilador interno ao faz tudo controlado por um cristal de quartzo. No TV NTSC, os sinais vão juntos ao demodulador interno ao CI. O oscilador a cristal gera dois sinais de 3,579545MHz defasados em 90° e os envia ao demodulador. Assim os sinais R-Y e B-Y voltam para suas freqüências originais (0 a 1 MHz) e já saem separados do demodulador. Daí basta passá-los por uma matriz para recuperar o verde (G-Y).

Sistema PAL - Significa “Phase Alternate Line”  ou Linha de Fase Alternada, foi desenvolvido na Alemanha pela Telefunken nos anos 60. É o sistema usado pelo Brasil, América Latina e a maioria dos países europeus. Basicamente é um NTSC melhorado. Os sinais são modulados por uma portadora de 3,575611 MHz (padrão M). O azul (U) é modulado em fase (0°) e o vermelho (V) numa linha de imagem é modulado em 90° e na linha seguinte em -90°. Ou seja o vermelho é transmitido numa linha correto e na outra invertido. O TV desinverterá as linhas dentro do faz tudo. Daí vem o nome do sistema. Ele corrige a deficiência do NTSC visualmente, já que o olho não consegue perceber a diferença de cores entre duas linhas consecutivas de imagem. Exemplo: Na linha 1 o vermelho vai a 90° e chega no TV a 100° (cores diferentes). Na linha 2 o vermelho vai a -90° e chega no TV com a mesma alteração (-90+10) = -80°(cores diferentes da linha 1). Daí o TV desinverte o sinal e fica 80°. Assim temos no TV: linha 1 vermelho em 100° e na linha 2 vermelho em 80°. Daí enxergaremos na tela a média das cores das duas linhas: 100+80 = 180/2 = 90 ° que é a fase do sinal transmitido e em consequência a cor correta que devemos enxergar.

O televisor PAL – Devido às inversões de fase do vermelho (V e -V), os sinais são separados antes dos demoduladores de croma. O componente responsável pela separação entre o azul e o vermelho é uma linha de atraso de vidro (DL de croma). Os sinais entram na DL na linha 1 e demoram 63 microssegundos (padrão M). Tempo suficiente para virem os sinais da linha 2 que também entram na DL e vão para saída ao mesmo tempo. Assim os sinais da linha 2 são misturados com os da linha 1 e desta forma separarem o azul do vermelho. Após a DL, os sinais separados vão para os demoduladores serem misturados com o sinal do oscilador a cristal de 3,575611 MHz. Nos TVs modernos, o faz tudo faz uma pré separação entre os sinais e outro CI chamado DL de croma se encarrega de melhorar a separação entre o azul e o vermelho. Portanto não encontraremos mais a DL de vidro.

PAL M e PAL N – No PAL M a imagem é formada por 525 linhas,  os sinais de croma são de 3,575611 MHz, a freqüência do horizontal é de 15.750 Hz e a freqüência do vertical é 60 Hz. No sistema PAL N, usado pela maioria dos países da América do Sul, a imagem é formada por 625 linhas, os sinais de croma são de 3,582056 MHz, a freqüência do horizontal é de 15.625 Hz e a freqüência do vertical é 50 Hz.

Sistema SECAM – Significa “Systeme Electronique Couleur Avec Memoire” ou Sistema Eletrônico de Cores Seqüenciais com Memória, foi desenvolvido na França nos anos 60, sendo adotado neste país e em outros tais como Rússia, Grécia e pela maioria dos países do leste europeu. Neste os sinais azul e vermelho são transmitidos sequencialmente, numa linha só o azul, na outra só o vermelho. Os sinais são armazenados numa memória no televisor e processados. A imagem é formada por 625 linhas. A freqüência do horizontal é 15.625 Hz e a do vertical é 50 Hz. Não falaremos deste sistema porque aqui no Brasil dificilmente encontraremos televisores SECAM para conserto.

CIRCUITO DE IMAGEM COM CI FAZ TUDO MAIS ANTIGO

Nos primeiros CIs faz tudo, os sinais de luminância (Y) e croma eram separados externamente. Usavam a DL de luminância externa (bobina encapsulada de cerâmica) e DL de croma era um bloco de vidro dentro de uma caixinha azul, verde, preta ou bege. Deste CI saem 4 sinais para a placa do tubo: Y, R-Y, G-Y e B-Y. Veja abaixo o exemplo de um circuito de imagem usando o CI LA7680:

Observe como normalmente estes TVs usam o seletor varicap comum, conforme veremos em outro tópico.

CIRCUITO DE IMAGEM COM CI FAZ TUDO MODERNO

Nos TVs atuais, o CI faz tudo separa internamente os sinais Y e C e a DL de luminância está dentro dele. Ele também separa os sinais vermelho (R-Y) e azul (B-Y) internamente e em alguns casos precisa do auxílio de um CI fazendo o papel de uma DL de croma, normalmente um TDA4661, 4662 ou 4665, para separar corretamente os sinais. Os faz tudo mais modernos não usam mais o CI externo para ajudar a separar o azul do vermelho. Veja abaixo o exemplo de um CI TDA8361 processando a imagem e a cor:

Observe como este CI faz o chaveamento do TV/AV. O sinal da TV entra no 13, o da entrada AV no 15 e a tensão no pino 16 controla a chave interna. Quando está em 0 V, chaveia o sinal da TV e quando está em 8 V, chaveia o sinal da entrada AV. Observe também como estes TVs normalmente usam o seletor do tipo PLL que será abordado num outro tópico.

IDENTIFICAÇÃO DOS COMPONENTES DOS CIRCUITOS DE IMAGEM NA PLACA

Aqui vamos dividir em duas categorias: A dos TVs mais antigo e a dos TVs mais modernos:

LOCALIZAÇÃO DOS COMPONENTES DO CIRCUITO DE IMAGEM – PARTE 1

Aqui falaremos dos TVs mais antigos. O primeiro passo é localizar o faz tudo, o maior CI da placa. Ao lado do CI encontraremos o cristal de 3,58 MHz (pode ser mais de um se o TV trabalha em outros sistemas). Também veremos os filtros cerâmicos trap e filtro de som e perto deles localizamos o transistor distribuidor de vídeo. Também encontraremos as duas linhas de atraso: A DL de luminância tem o corpo deformado de cerâmica e a DL de croma dentro de uma caixinha fina plástica. Também perto do CI estará o filtro SAW metálico. Veja abaixo uma idéia de como achar os componentes num TV antigo:

Neste exemplo podemos notar três cristais (PAL – M, PAL – N e NTSC) e duas DLs de croma (PAL – M e PAL – N). Ela não é usada no sistema NTSC.

 

LOCALIZAÇÃO DOS COMPONENTES DO CIRCUITO DE IMAGEM – PARTE 2

Nos TVs mais modernos é mais fácil de localizar os componentes. O filtro SAW normalmente é retangular. Não encontraremos mais a DL de luminância (interna ao faz tudo) e a DL de croma é um CI menor ao lado do faz tudo. Normalmente é usado o CI TDA4662. Os TVs mais modernos não usam mais este CI separado, estando a DL de croma também no faz tudo. Veja abaixo o exemplo de um TV usando circuitos de imagem e cor mais moderno:

SELETOR VARICAP CONVENCIONAL

O seletor de canais do TV recebe este nome por usar um diodo especial chamado varicap para a sintonia dos canais. Todo diodo funciona como um capacitor quando polarizado  inversamente. Porém os diodos comuns variam a capacitância de maneira aleatória quando a tensão inversa varia. Já os diodos varicap variam sua capacitância de maneira uniforme, como visto abaixo:

Assim o seletor usa deste diodo em paralelo com bobinas para sintonizar os canais. Alterando a tensão nos diodos varicap, trocamos de canal. Externamente os diodos varicaps estão ligados no pino VT (tensão de sintonia). O TV deve variar a tensão no pino VT entre 0 e 30 V para sintonizar toda a faixa dos canais. Veja abaixo o exemplo de um varicap convencional e abaixo explicaremos a função dos pinos:

São chamados de convencionais, porque foram os primeiros tipos de seletor varicap usados nos televisores:

VT – Pino da tensão de sintonia. Deve variar a tensão entre 0 e 30 V para sintonizar todos os canais;

BL ou VL – Deve receber 9 ou 12 V para o TV sintonizar os canais baixos (2 ao 6);

BH ou VH – Deve receber 9 ou 12 V para o TV sintonizar os canais altos (7 ao 13);

BU ou VU – Deve receber 9 ou 12 V para o TV sintonizar os canais de UHF (14 ao 83);

Os pinos BL, BH e BU são chamados de chaveadores de bandas. Eles ligam e desligam boinas internas ao varicap para sintonizar uma determinada banda (ou faixa) de canais.

BM – É o pino de +B do varicap. Recebe 9 ou 12 V para alimentar os transistores internos;

AGC – Ou CAG (controle automático de ganho) recebe de 3 a 7 V para ajustar o ganho do seletor de acordo com o nível do sinal vindo da antena;

IF – Ou FI é o pino por onde sai os sinais de FI de vídeo, croma e som;

AFT – Sintonia fina automática, ajusta o correto ponto da sintonia para um determinado canal. Nem todos os varicaps usam este pino.

CIRCUITO DE SINTONIA

É circuito encarregado de fornecer as tensões para o correto funcionamento do varicap. Veja abaixo o exemplo de um tipo de circuito e alguns de seus componentes destacados:

Os televisores dos anos 80 trocavam de canal através de teclas e ajustavam a sintonia fina através de potenciômetros multivoltas. Tal conjunto de teclas e potenciômetros recebe o nome de unidade de memória. Já nos TVs modernos, o micro substitui todo este conjunto. Assim possibilitou-se trocar de canais usando o controle remoto (CR). Ao apertar a tecla de canal no painel ou no CR, o micro controla um ou dois transistores que recebem uma tensão estabilizada de um zener de 33 V. Desta forma os transistores fazem a tensão no pino VT do varicap chegar ao valor apropriado para sintonizar o canal desejado. Ao mesmo tempo o micro controla um CI menor que irá chavear uma tensão de 9 ou 12 V para o pino correspondente à banda do canal escolhido.

Conforme explicado, para o circuito de sintonia sintonizar todos os canais e nas posições certas é necessária uma tensão de 33 V estabilizada por um zener. O zener de 33 V pode ser comum ou ter o corpo parecido com o de um transistor, porém apenas com dois terminais na placa. Tal diodo vem com a indicação de “IC” na placa do TV e no corpo vem indicado u574. A alimentação deste zener pode vir da mesma fonte de 100 V que alimenta o saída H ou da fonte de fly-back de 180 V.

 

SELETOR VARICAP MODERNO (PLL)

Este tipo tem um CI micro dentro. Ele recebe pulsos digitais de dados (data ou SDA), clock (SCL) e habilitação (enable ou EN) do CI micro do televisor. Ao apertar a tecla de canais no painel ou CR, o micro manda uma seqüência de pulsos SDA, SCL e  EN para o varicap. O CI micro interno do varicap interpreta estes pulsos como o canal e a banda que queremos sintonizar. A partir daí ele fornece o comando para o CI PLL dentro do varicap que fornecerá as tensões corretas de sintonia e chaveamento da banda. Para cada canal a ser sintonizado, o micro do TV fornece uma seqüência diferente de pulsos SDA e SCL para o micro do varicap. Veja abaixo o circuito de sintonia simples usado neste tipo de varicap:

BT – Pino da sintonia. Funciona com 33 V fixos vindos do zener de 33 V;

BM – Pino do +B de 9 ou 12 V. Alguns varicaps PLL não têm este pino;

BP – Pino do +B de 5 V

SDA – Pino que recebe o comando de dados digitais do micro. A tensão contínua deste pino é 5 V;

SCL – Pino que recebe o sinal de clock para sincronismo do micro. A tensão deste pino é 5 V;

EN – Enable, pino que recebe um comando para habilitar as portas do micro interno do varicap. Os varicaps mais modernos não tem mais este pino. Tal comando é enviado junto com o sinal de dados.

Como visto o circuito de sintonia deste tipo de varicap é bem simples. Todas as tensões são fixas. Para testar estes circuitos basta medir as tensões de 33, 9, 5 e a tensão do AGC entre 3 e 7 V. Os comandos SDA e SCL só podem ser medidos com um osciloscópio, já que formam ondas quadradas de dezenas de kHz de freqüência.

O FILTRO SAW

Conforme já explicado é um filtro ligado na saída do seletor. Serve para deixar passar os sinais de FI em torno dos 44 MHz e eliminar as interferências produzidas pelo seletor. Possui 5 terminais, sendo uma entrada, duas saídas e dois terminais no terra. Pode ser redondo metálico ou retangular de epóxi para economia de espaço na placa. Veja abaixo os tipos de SAW citados:

OBS – SAW significa “Superficial Acustic Wave” – Onda acústica superficial. O sinais entram no filtro e viram sons de alta freqüência. Apenas os sons que coincidem com as freqüências de ressonância do filtro viram sinais novamente e saem do filtro. Os demais sons vão para o terra.

BOBINA DETETORA DE VÍDEO

É uma bobina ajustável ligada em dois pinos do faz tudo. Está ajustada em 45,75 MHz (FI de vídeo). Ela é a responsável pelo funcionamento do detetor interno ao CI. O detetor recebe o sinal de FI e o demodula, obtendo o sinal de luminância, cor e som. Se esta bobina estiver desajustada, o detetor não consegue eliminar todo o sinal de FI e aparecem chuviscos na imgem. Também pode ocorrer da imagem ficar com chuvisco ao sintonizar o canal e o chuvisco desaparecer em seguida. Não tente ajustar esta bobina sem instrumentos adequados (osciloscópio ou frequencímetro). Porém estas bobinas são universais, ou seja a de um TV serve na maioria dos outros TVs, não importando o tamanho da carcaça. Veja abaixo:

FILTROS DE CERÂMICA

Este componente está sendo usado nos rádios e TVs para substituir bobinas. Tem uma freqüência de trabalho. No caso dos filtros usados em TV, é 4,5 MHz. Assim apenas os sinais de 4,5 MHz passam e os demais vão para o terra. Os filtros cerâmicos de 4,5 MHz usados nas TVs servem para separar o sinal de som dos demais. Assim temos o “trap de som” (filtro cerâmico em paralelo com uma bobina) no caminho do sinal de vídeo para mandar o som para o terra e o filtro de som para separar este sinal para os circuitos de som do TV. Veja abaixo os dois filtros cerâmicos de 4,5 dos TVs:

LINHA DE ATRASO DE LUMINÂNCIA

Também chamada de DLY é uma bobina com o terminal central ligado ao terra. Serve para atrasar o sinal Y em torno de 70 ns (nanossegundo ou um segundo dividido por um bilhão). Assim este sinal chega ao tubo junto com a croma. Veja abaixo o aspecto e o símbolo deste componentes. Nos TVs modernos, ela está dentro do faz tudo.

LINHA DE ATRASO DE CROMA ANTIGA

É formada por um bloco fino de vidro especial que atrasa o sinal em 63 µs. Daí este sinal pode ser misturado com o da próxima linha e cancelar uma das cores em cada saída. Veja abaixo o princípio de funcionamento e o aspecto físico deste componente:

Veja como numa das saídas cancela-se o vermelho e fica apenas o azul. Na outra saída ocorre o contrário. Porém a DL de croma só funciona corretamente quando dois componentes estão ajustados: o trimpot que controla o nível do sinal direto e a bobina que ajusta a defasagem do sinal que será invertido numa das pontas para permitir uma perfeita separação das cores. Se um destes componentes estiver desajustado, a DL não funciona, não separa as cores e aparece na tela umas barrinhas nas cores chamadas de efeito veneziana. Mais adiante mostrarei como é o efeito veneziana. Este efeito também ocorre quando A DL está quebrada. Alguns TVs têm duas DLs de croma, uma para o PAL M e outra para o PAL N. O chaveamento delas é feito automaticamente através de diodos ou de um CI.

 

LINHA DE ATRASO DE CROMA MODERNA

Conforme já explicado, alguns CIs como o TDA8361 ou o TDA8374 já separam internamente o azul do vermelho. Porém como a separação não é perfeita, ele usam um CI menor para separar definitivamente as cores. Tal CI, normalmente um TDA4662, recebe o nome de DL de croma. Possui internamente duas memórias que armazenam o sinal da linha anterior, misturando com o da linha presente, da mesma forma que a DL de vidro. Pode-se dizer que há duas DLs dentro do CI, uma para separar só o vermelho e a outra o azul. Veja abaixo o exemplo de um CI DL de croma:

Os faz tudo mais modernos, tais como o TDA8841 e o TDA9570 não usam mais a DL de croma externa nem de vidro, nem o CI.

 

CRISTAIS DE 3,58 MHz

Como explicado, o circuito de croma usa o um sinal de 3,58 MHz produzido por um oscilador a cristal para demodular as cores. Sendo assim encontraremos pelo menos um cristal de 3,575611 MHz ligado no faz tudo. Esta é a freqüência da cor no sistema PAL M. O cristal da croma é parecido com um pequeno cadeado. Atualmente é comum os TVs funcionarem em vários sistemas. Se o TV funciona em PAL M e NTSC encontraremos dois cristais. Se o TV funciona em três sistemas (PAL M, PAL N e NTSC) encontraremos três cristais. O chaveamento destes cristais no televisor pode ser feito através de diodos, transistores ou dentro do próprio faz tudo. Veja abaixo:

ENTRADAS AUXILIARES DE ÁUDIO E VÍDEO

Hoje todos os televisores possuem duas ou mais entradas RCA de áudio e vídeo  (AV) auxiliares. Nestas entradas localizadas atrás ou na frente, podemos conectar ao TV outros equipamentos, tais como videogame, DVD, VCR, filmadora, etc. O sinal de vídeo destas entradas podem ser chaveados dentro do faz tudo ou num CI separado, normalmente um 4052, 4053 ou 4066. Veja abaixo como são e onde normalmente estão ligadas estas entradas:

CONTROLES DOS CIRCUITOS DE IMAGEM

São basicamente três controles principais acessíveis ao usuário: brilho, contraste e cor. Eles fazem a tensão variar em três pinos do faz tudo. Antigamente estes controles eram potenciômetros, hoje são comandos do micro acessados através de um menu na tela. Veja abaixo os controles antigos e modernos:

Brilho – Ou “bright”, atua num pino do circuito de luminância para ajustar o nível de luz na tela do tubo;

Contraste – Controla o tamanho do sinal de vídeo e a diferença entre as partes pretas e brancas da imagem

Cor – Ou saturação, atua no circuito de croma para deixar as cores mais fortes ou fracas.

Alguns TVs têm um trimpot de sub brilho interno. Os aparelhos mais modernos fazem os controles de brilho, contraste e cor através de dados seriais (data – SDA e clock – SCL) enviados pelo CI micro ao faz tudo.

CONTROLE AUTOMÁTICO DE GANHO (CAG)

Também chamado de AGC, está dentro do faz tudo. Recebe parte do sinal de vídeo do detetor e o transforma em tensão contínua para controlar o ganho da FI e do seletor. Se o sinal chegar forte na antena, o CAG diminui o ganho do TV para a imagem não ficar entortando e perdendo o sincronismo. Se o sinal chegar fraco, o CAG aumenta o ganho do TV para a imagem não ficar com chuvisco. Há um trimpot que controla a tensão do CAG a ser aplicada ao seletor. Veja abaixo o princípio básico do CAG:

CIRCUITO DE SINCRONISMO

Tem como função separar os pulsos de sincronismo horizontal e vertical do sinal de vídeo. Este circuito está inteiramente dentro do faz tudo. Os pulsos de sincronismo vertical de 60 Hz vão direto para o oscilador vertical impedindo que a imagem role para cima ou para baixo. Os pulsos horizontais de 15.750 Hz vão para o CAF (controle automático de fase). Este circuito compara o sincronismo com o sinal gerado pelo oscilador interno e dividido até 15.750 Hz. Se houver defasagem entre os dois, o CAF gera uma tensão que aumenta ou diminui a freqüência do oscilador momentaneamente até os dois sinais ficarem em fase novamente. Isto impede que a imagem role horizontalmente ou fique com uma barra preta no meio. No CAF há um trimpot que permite ajustar a correta centralização da imagem no sentido horizontal. Veja abaixo o circuito de sincronismo e CAF assim como os defeitos mais comuns.

FORMA DOS SINAIS DE IMAGEM

Veja abaixo como são os sinais de luminância, croma e sincronismo retirados do transistor distribuidor de vídeo. Observe como há um sinal chamado “burst”. Este sinal é formado por 8 a 10 pulsos de 3,58 MHz enviado junto com o sinal de croma. Serve para sincronizar as cores na imagem e para o televisor saber que a transmissão foi feita a cores. Veja também os sinais RGB obtidos nas saídas do faz tudo. Porem estes sinais só podem ser visualizados num osciloscópio de pelo 10 MHz e com um gerador de barras ligado na antena do TV.

 

COMPONENTES MAIS USADOS NOS CIRCUITOS DE IMAGEM

Não apresentamos os tipos de CI faz tudo porque isto já foi feito quando estudamos o horizontal. Veja abaixo os demais componentes encontrados nestas etapas do TV: